Pinacossauro
Pinacosaurus grangeri
"Lagarto com pranchas de Granger"
Sobre esta espécie
Pinacosaurus grangeri é um anquilossaurídeo de médio porte do Cretáceo Superior (Campaniano, cerca de 80 a 75 milhões de anos atrás) da Formação Djadokhta na Mongólia e da Formação Bayan Mandahu na Mongólia Interior, China, com registros mais antigos na Formação Alagteeg. Foi descrito por Charles W. Gilmore em 1933 com base no holótipo AMNH 6523, coletado em 1923 em Shabarakh Usu (hoje Bayn Dzak, 'Flaming Cliffs') pelo paleontólogo Walter Granger durante as Central Asiatic Expeditions lideradas por Roy Chapman Andrews. Atingia cerca de 5 metros de comprimento e 1,9 tonelada de massa corporal. O crânio era baixo e largo, com um bico desdentado, chifres esquamosais pouco desenvolvidos, quatro chifres occipitais piramidais e uma série de aberturas narinais acessórias que perfuram a pré-maxila, característica diagnóstica do gênero. O corpo era coberto por osteodermos poligonais quilhados, com dois anéis cervicais protegendo o pescoço e uma cauda terminando em clava óssea. O gênero contém duas espécies válidas: P. grangeri (Mongólia e China) e P. mephistocephalus (Godefroit et al., 1999), distinguida pelos chifres esquamosais 'diabólicos' que se projetam muito além do teto craniano. Pinacosaurus é conhecido sobretudo pelos extraordinários leitos de ossos juvenis de Alag Teeg (Mongólia) e Bayan Mandahu (China), com aproximadamente 100 esqueletos imaturos parcialmente articulados preservados juntos, evidência direta de comportamento gregário em ancilossauros jovens. Em 2023, Yoshida, Kobayashi e Norell descreveram em Communications Biology o primeiro aparelho laríngeo preservado em um dinossauro não aviário, também de Pinacosaurus, sugerindo vocalização semelhante à de aves.
Formação geológica e ambiente
Formação Djadokhta, Campaniano (cerca de 80 a 75 Ma), Bacia Ulan Nuur, sul da Mongólia. A unidade aflora em icônicos arenitos alaranjados nas 'Flaming Cliffs' de Bayn Dzak (Bayanzag), em Tugrikin Shireh, Ukhaa Tolgod, Udyn Sayr e Zamyn Khondt. Foi documentada pela primeira vez pelas Central Asiatic Expeditions do AMNH (1922-1925), lideradas por Roy Chapman Andrews, com Walter Granger como paleontólogo-chefe. O ambiente deposicional era um campo de dunas eólicas com interdigitações de sedimentos fluviais efêmeros e lagos rasos, sob clima semi-árido. A fauna acompanhante inclui Protoceratops andrewsi (abundante), Velociraptor mongoliensis, Citipati osmolskae, Oviraptor philoceratops, Khaan mckennai e os mamíferos multituberculados Kryptobaatar. A Formação Alagteeg (levemente mais antiga) aflora em Alag Teeg, com litofácies fluvio-lacustre. A Formação Bayan Mandahu é o equivalente chinês da Djadokhta, na Mongólia Interior. Todas as três formações contêm Pinacosaurus grangeri.
Galeria de imagens
Reconstituição em vida de Pinacosaurus grangeri por Dmitry Bogdanov, anquilossaurídeo do Cretáceo Superior da Mongólia e China, com osteodermos dorsais e clava caudal.
Dmitry Bogdanov (DiBgd), Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Ecologia e comportamento
Habitat
Ambientes desérticos e semi-áridos do Cretáceo Superior da Ásia Central. A Formação Djadokhta preserva campos de dunas eólicas com intercalações de depósitos fluviais efêmeros e lagos rasos sazonais. A Formação Alagteeg, levemente mais antiga, representa um sistema fluvial entrelaçado com planícies de inundação e poças efêmeras, sob clima subúmido. A vegetação era dominada por coníferas (Frenelopsis), cicadáceas e pequenas fanerógamas primitivas. As famosas 'Flaming Cliffs' exibem arenitos alaranjados que registram tempestades de areia recorrentes, responsáveis pelos soterramentos em vida de grupos de juvenis de Pinacosaurus e Protoceratops.
Alimentação
Herbívoro estrito, de baixo porte, com a cabeça próxima ao solo. O bico desdentado amplo e os pequenos dentes foliformes na região posterior do dentário sugerem pastagem seletiva em vegetação rasteira. Analogias com outros ancilossaurídeos indicam dieta de samambaias, coníferas jovens e folhagem de baixa estatura. O palato largo e a cavidade nasal complexa, com múltiplas aberturas acessórias, podem ter funcionado como câmaras de condicionamento do ar inspirado, útil em ambientes secos.
Comportamento e sentidos
Comportamento gregário confirmado em juvenis: os bonebeds de Alag Teeg (cerca de 100 indivíduos) e Bayan Mandahu (pelo menos 12) preservam grupos inteiros parcialmente articulados, muitos em orientação semelhante, consistente com tropas soterradas por tempestades de areia ou inundações rápidas (Currie et al. 2011; Hone et al. 2014). A predação sobre adultos plenamente armados com clava caudal seria difícil mesmo para grandes terópodes do Gobi como Tarbosaurus; a clava caudal constituía defesa ativa. Em 2023, Yoshida et al. forneceram a primeira evidência direta de vocalização por meio do aparelho laríngeo preservado, com estruturas análogas a modificadores vocais de aves.
Fisiologia e crescimento
Ancilossaurídeo de médio porte (cerca de 5 m de comprimento, 1,9 tonelada). A histologia óssea de juvenis revela crescimento rápido na fase imatura, consistente com estratégia de maturação acelerada. O grande número de juvenis preservados, um dos maiores do registro fóssil, sugere alta mortalidade em estágios precoces, provavelmente relacionada a eventos catastróficos recorrentes no ambiente desértico do Gobi. A laringe de IGM 100/3186 mostra capacidade de vocalização comparável à de arcossauros modernos (Yoshida et al. 2023).
Paleogeografia
Configuração continental
Ron Blakey · CC BY 3.0 · Cretáceo, ~90 Ma
Durante o Campaniano (Cretáceo Superior) (~80–75 Ma), Pinacosaurus grangeri habitava a Laramídia, a metade ocidental do que hoje é a América do Norte, separada pelo Mar Interior do Oeste (Western Interior Seaway), um mar raso que dividia o continente ao meio. Os continentes estavam em posições muito diferentes das atuais: a Índia viajava em direção à Ásia, a Antártida ainda estava conectada à Austrália, e a América do Sul era uma ilha separada.
Inventário de Ossos
Pinacosaurus é um dos anquilossaurídeos mais bem conhecidos do mundo. O holótipo AMNH 6523 consiste em crânio quase completo, mandíbula, atlas, axis e osteodermos. A riqueza real, porém, vem dos bonebeds de juvenis: Alag Teeg (Mongólia) rendeu cerca de 30 esqueletos coletados pelas expedições soviético-mongólicas (1969-1971) e 70 adicionais pelas expedições Canada-China, mongólicas-japonesas e polonesas entre 1993 e 2006, totalizando aproximadamente 100 esqueletos imaturos; Bayan Mandahu (Mongólia Interior) rendeu pelo menos 12 esqueletos juvenis e múltiplos adultos pelo Canada-China Dinosaur Project entre 1987 e 1990. Em 2003, Hill, Witmer e Norell descreveram um novo crânio juvenil (IGM 100/1014) de Ukhaa Tolgod. Em 2023, um aparelho laríngeo preservado em IGM 100/3186 forneceu a primeira evidência direta de vocalização em um dinossauro não aviário.
Estruturas encontradas
Estruturas inferidas
Literatura Científica
15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.
Two new dinosaurian reptiles from Mongolia with notes on some fragmentary specimens
Gilmore, C.W. · American Museum Novitates, 679: 1-20
Descrição original do gênero e da espécie Pinacosaurus grangeri com base no holótipo AMNH 6523 (crânio dorsoventralmente comprimido, mandíbula, atlas, axis e osteodermos) coletado por Walter Granger em 1923 na Formação Djadokhta em Shabarakh Usu (Flaming Cliffs), Mongólia. Gilmore identificou a combinação diagnóstica de chifres esquamosais piramidais, grande seio pré-maxilar, quadrado não co-ossificado com o processo paroccipital e múltiplas aberturas narinais acessórias.
New data on the skull of Pinacosaurus grangeri (Ankylosauria)
Maryanska, T. · Palaeontologia Polonica, 25: 45-53
Primeira redescrição pós-Gilmore do crânio de Pinacosaurus grangeri, baseada em material coletado pelas expedições polaco-mongólicas lideradas por Zofia Kielan-Jaworowska entre 1963 e 1971. Maryanska esclarece a estrutura do teto craniano, dos chifres esquamosais e occipitais e da região narial, oferecendo a primeira visão detalhada de um crânio adulto não comprimido.
Ankylosauridae (Dinosauria) from Mongolia
Maryanska, T. · Palaeontologia Polonica, 37: 85-151
Monografia de referência sobre a família Ankylosauridae a partir do material mongol coletado pelas expedições polaco-mongólicas. Maryanska descreve sistematicamente Pinacosaurus grangeri (incluindo o material adulto ZPAL MgD-I/113 e subadultos), estabelece Saichania chulsanensis e Tarchia gigantea, e propõe o arranjo taxonômico interno da família que dominou por décadas.
A new species of the ankylosaurid dinosaur Pinacosaurus from the Late Cretaceous of Inner Mongolia (P.R. China)
Godefroit, P., Pereda-Suberbiola, X., Li, H. e Dong, Z. · Bulletin de l'Institut Royal des Sciences Naturelles de Belgique, Sciences de la Terre, 69-suppl. B: 17-36
Descrição de Pinacosaurus mephistocephalus a partir do holótipo IMM 96BM3/1, um esqueleto articulado quase completo da Formação Bayan Mandahu, Mongólia Interior. O nome específico combina 'Mephistopheles' e o grego kephalé ('cabeça'), em referência aos chifres esquamosais em forma de chifres do diabo que se projetam muito além da parte posterior do teto craniano. Os autores separam a espécie de P. grangeri por detalhes da região narial, do lacrimal e da crista deltopeitoral.
The cranial ornamentation of ankylosaurs (Ornithischia: Thyreophora): reappraisal of developmental hypotheses
Vickaryous, M.K., Russell, A.P. e Currie, P.J. · In: K. Carpenter (ed.), The Armored Dinosaurs, Indiana University Press, pp. 318-340
Reanálise das hipóteses de desenvolvimento da ornamentação craniana em ancilossauros, com Pinacosaurus e Euoplocephalus como modelos-chave. Os autores identificam dois modos principais de morfogênese: fusão de osteodermos adicionais ao crânio e elaboração dos próprios elementos cranianos. Mostram que a extensão do contato osteoderm-crânio é espécie-específica e ontogeneticamente variável, estabelecendo o arcabouço conceitual que ainda rege a literatura.
A new specimen of Pinacosaurus grangeri (Dinosauria: Ornithischia) from the Late Cretaceous of Mongolia: ontogeny and phylogeny of ankylosaurs
Hill, R.V., Witmer, L.M. e Norell, M.A. · American Museum Novitates, 3395: 1-29
Descrição de um crânio juvenil de Pinacosaurus grangeri (IGM 100/1014) da localidade de Ukhaa Tolgod, Omnogov, Mongólia, famosa pela preservação excepcional de terópodes, mamíferos e escamados mas até então sem material ancilossauro diagnóstico. Os autores confirmam a atribuição a P. grangeri pela combinação de grande seio pré-maxilar, quadrado não co-ossificado com o processo paroccipital e múltiplas aberturas narinais acessórias.
Juvenile specimens of Pinacosaurus grangeri Gilmore, 1933 (Ornithischia: Ankylosauria) from the Late Cretaceous of China, with comments on the specific taxonomy of Pinacosaurus
Burns, M.E., Currie, P.J., Sissons, R.L. e Arbour, V.M. · Cretaceous Research, 32(2): 174-186
Descrição de múltiplos espécimes juvenis de Pinacosaurus grangeri da Formação Bayan Mandahu (Mongólia Interior, China), preservando crânios, mandíbulas, pós-crânio e osteodermos. Os autores sinonimizam P. ninghsiensis (Young, 1935) com P. grangeri, reavaliam a validade de P. mephistocephalus e fornecem a melhor base anatômica do gênero a partir de subadultos, cuja anatomia craniana (suturas ainda visíveis) não pode ser estudada em adultos.
Hands, feet and behaviour in Pinacosaurus (Dinosauria: Ankylosauridae)
Currie, P.J., Badamgarav, D., Koppelhus, E.B., Sissons, R. e Vickaryous, M.K. · Acta Palaeontologica Polonica, 56(3): 489-504
Descrição da anatomia de mãos e pés de juvenis de Pinacosaurus da Formação Alagteeg de Alag Teeg (Mongólia), confirmando a fórmula falangeana manus 2-3-3-3-2 e um pé tridáctilo com fórmula X-3-3/4-3/4-X (o número de falanges dos dígitos III e IV varia entre três e quatro, mesmo dentro de um único indivíduo). Os autores interpretam os leitos de ossos como evidência de comportamento gregário em juvenis, possivelmente relacionado a tempestades de areia recorrentes que enterraram grupos inteiros vivos.
A new mass mortality of juvenile Protoceratops and size-segregated aggregation behaviour in juvenile non-avian dinosaurs
Hone, D.W.E., Farke, A.A., Watabe, M., Shigeru, S. e Tsogtbaatar, K. · PLOS ONE, 9(11): e113306
Descrição de uma agregação de quatro juvenis de Protoceratops da Formação Djadokhta, com discussão comparativa explícita dos leitos de ossos juvenis de Pinacosaurus de Alag Teeg e Bayan Mandahu. Os autores estabelecem um padrão consistente de agregação segregada por tamanho em juvenis de dinossauros não avianos do Gobi, interpretando as grandes acumulações de Pinacosaurus como tropas de juvenis gregários soterrados por tempestades.
Postcrania of juvenile Pinacosaurus grangeri (Ornithischia: Ankylosauria) from the Upper Cretaceous Alagteeg Formation, Alag Teeg, Mongolia: implications for ontogenetic allometry in ankylosaurs
Burns, M.E., Tumanova, T.A. e Currie, P.J. · Journal of Paleontology, 89(1): 168-182
Descrição detalhada do pós-crânio de juvenis a subadultos de Pinacosaurus grangeri coletados pela Expedição Paleontológica Soviético-Mongólica na Formação Alagteeg (Alag Teeg, Mongólia). Os autores documentam padrões de alometria ontogenética em ancilossauros, incluindo mudanças nas proporções dos membros e na ornamentação dos osteodermos ao longo do crescimento.
Ankylosaurid dinosaur tail clubs evolved through stepwise acquisition of key features
Arbour, V.M. e Currie, P.J. · Journal of Anatomy, 227(4): 514-523
Análise filogenética e anatômica da evolução da clava caudal em Ankylosauridae. Os autores mostram que a clava evoluiu de modo gradual: primeiro o 'cabo' de vértebras caudais entrelaçadas, depois a expansão e co-ossificação dos osteodermos distais em um bulbo ósseo. Pinacosaurus é um táxon-chave da análise, com clava bem desenvolvida e cabo típico de ancilossaurineos.
Systematics, phylogeny and palaeobiogeography of the ankylosaurid dinosaurs
Arbour, V.M. e Currie, P.J. · Journal of Systematic Palaeontology, 14(5): 385-444
Revisão sistemática e filogenética abrangente de Ankylosauridae, com base em todas as espécies conhecidas e em ancilossauros de afinidade incerta. A análise produz uma Ankylosauridae monofilética e estabelece a tribo Ankylosaurini dentro de Ankylosaurinae. Pinacosaurus grangeri e P. mephistocephalus são recuperados como táxons-irmãos derivados no clado asiático. A paleobiogeografia indica origem asiática da família e migrações múltiplas para a América do Norte.
The most basal ankylosaurine dinosaur from the Albian-Cenomanian of China, with implications for the evolution of the tail club
Zheng, W., Jin, X., Azuma, Y., Wang, Q., Miyata, K. e Xu, X. · Scientific Reports, 8: 3711
Descrição de Jinyunpelta sinensis, o anquilossaurineo mais basal com clava caudal bem desenvolvida. A análise filogenética posiciona Pinacosaurus grangeri dentro de Ankylosaurinae, em um clado asiático junto com Saichania, Tarchia, Tsagantegia e Talarurus. O artigo empurra a origem da clava para cerca de 100 Ma, 20 Ma antes do que se pensava, e reforça a origem asiática do clado.
A new ankylosaurid skeleton from the Upper Cretaceous Baruungoyot Formation of Mongolia: its implications for ankylosaurid postcranial evolution
Park, J.-Y., Lee, Y.-N., Currie, P.J., Ryan, M.J., Bell, P., Sissons, R., Koppelhus, E.B., Barsbold, R., Lee, S. e Kim, S.-H. · Scientific Reports, 11: 4101
Descrição de um esqueleto pós-craniano articulado (MPC-D 100/1359) da Formação Baruungoyot (Campaniano médio a superior, Hermiin Tsav, sul do Gobi), com doze vértebras dorsais, costelas, cinturas peitoral e pélvica, membros e osteodermos livres. A análise mostra que ancilossaurídeos asiáticos como Pinacosaurus evoluíram corpos rígidos com número reduzido de falanges pedais, e que havia pelo menos duas formas de armadura de flanco dentro da família.
An ankylosaur larynx provides insights for bird-like vocalization in non-avian dinosaurs
Yoshida, J., Kobayashi, Y. e Norell, M.A. · Communications Biology, 6: 152
Descrição do primeiro aparelho laríngeo fóssil conhecido em um dinossauro não aviário, preservado quase em articulação de vida em um juvenil de Pinacosaurus grangeri (IGM 100/3186) do Gobi. Os autores identificam cricoide e aritenoide análogos aos de répteis não avianos, mas com articulação cricoaritenoide firme e cinética, processo aritenoide proeminente, aritenoide longo e cricoide ampliado, sugerindo função de modificador vocal comparável à das aves. O estudo fornece a primeira evidência direta de vocalização em um ancilossauro.
Espécimes famosos em museus
AMNH 6523 (holótipo)
American Museum of Natural History (AMNH), Nova York, Estados Unidos
Holótipo coletado em 1923 em Shabarakh Usu (atual Bayn Dzak, 'Flaming Cliffs'), Formação Djadokhta, Campaniano, Mongólia. Descrito por Charles W. Gilmore em 1933 em American Museum Novitates 679. Permanece até hoje o maior crânio conhecido de Pinacosaurus grangeri e referência para a diagnose genérica.
ZPAL MgD-I/113 e material polonês associado
Institute of Paleobiology, Polish Academy of Sciences (ZPAL), Varsóvia, Polônia
Coleção fundacional do material polonês de Pinacosaurus, base das monografias de Maryanska (1971, 1977). Inclui o crânio adulto não comprimido que permitiu a primeira reconstrução precisa do teto craniano, dos chifres e da região narial do gênero.
IGM 100/1014 (juvenil de Ukhaa Tolgod)
Institute of Geology, Mongolian Academy of Sciences (IGM), Ulaanbaatar, Mongólia
Crânio juvenil de Ukhaa Tolgod (Ömnögovi, Mongólia), descrito por Hill, Witmer e Norell (2003) em American Museum Novitates 3395. Primeira atribuição diagnóstica de material ancilossauro à famosa localidade de Ukhaa Tolgod, conhecida por seus fósseis espetacularmente preservados de terópodes, mamíferos e escamados.
IGM 100/3186 (juvenil com aparelho laríngeo)
Institute of Geology, Mongolian Academy of Sciences (IGM), Ulaanbaatar, Mongólia
Espécime juvenil que preserva o primeiro aparelho laríngeo fóssil conhecido em qualquer dinossauro não aviário. Descrito por Yoshida, Kobayashi e Norell em 2023 em Communications Biology, documenta cricoide e aritenoide com articulação firme e cinética, interpretados como modificadores vocais comparáveis aos de aves.
IVPP V16853, V16283, V16854, V16346, V16855 (juvenis de Bayan Mandahu)
Institute of Vertebrate Paleontology and Paleoanthropology (IVPP), Pequim, China
Conjunto de espécimes coletados pelo Canada-China Dinosaur Project em Bayan Mandahu (Mongólia Interior), incluindo um dos raros bonebeds de juvenis ancilossauros preservados em articulação. Base da descrição de Burns et al. (2011) em Cretaceous Research. Alguns juvenis estavam orientados na mesma direção, interpretados como uma tropa soterrada viva por tempestade de areia.
IMM 96BM3/1 (holótipo de P. mephistocephalus)
Inner Mongolia Museum (IMM), Hohhot, China
Holótipo de Pinacosaurus mephistocephalus, descrito por Godefroit, Pereda-Suberbiola, Li e Dong em 1999. O epíteto específico refere-se aos chifres esquamosais 'diabólicos' que se projetam muito além do teto craniano. A validade da espécie como distinta de P. grangeri é debatida (Burns et al. 2011 mantêm a separação, outros a sinonimizam).
MPC (juvenis de Alag Teeg)
Mongolian Paleontological Center (MPC, antigo IGM), Ulaanbaatar, Mongólia
Maior acumulação conhecida de juvenis de ancilossauro no mundo, proveniente da Formação Alagteeg em Alag Teeg (Mongólia). Interpretada inicialmente como mortandade por seca em poça, mas reinterpretada como soterramento por inundação fluvial. Base das descrições pós-cranianas de Burns, Tumanova e Currie (2015).
Classificação
Descoberta
Curiosidade
Pinacosaurus grangeri é o ancilossaurídeo do qual mais se conhecem juvenis no mundo: cerca de 100 indivíduos imaturos acumulados só no sítio de Alag Teeg, na Mongólia, além de dezenas em Bayan Mandahu, na China. Essa abundância revolucionou o conhecimento sobre o crescimento e o comportamento do grupo, porque os crânios juvenis preservam as suturas antes da fusão completa dos osteodermos ao crânio, permitindo identificar cada elemento individual. Em 2023, Yoshida, Kobayashi e Norell descreveram em Communications Biology o primeiro aparelho laríngeo fóssil de um dinossauro não aviário, preservado em um juvenil de Pinacosaurus: o estudo sugere que o animal era capaz de vocalizações comparáveis às de aves, muito antes do que se imaginava.