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Dakotaraptor steini
Cretáceo Carnívoro

Dakotaraptor

Dakotaraptor steini

"Ladrão de Dakota, de Stein"

Período
Cretáceo · Maastrichtiano tardio
Viveu
67–66 Ma
Comprimento
até 5 m
Peso estimado
300 kg
País de origem
Estados Unidos
Descrito em
2015 por Robert A. DePalma, David A. Burnham, Larry D. Martin, Peter L. Larson e Robert T. Bakker

Dakotaraptor steini é um grande dromeossaurídeo do Cretáceo Superior (Maastrichtiano tardio, cerca de 66 a 67 milhões de anos atrás) da Formação Hell Creek, em Harding County, South Dakota. Descrito por Robert DePalma, David Burnham, Larry Martin, Peter Larson e Robert Bakker em 2015, o animal atingia entre 4,35 e 6 metros de comprimento, com massa corporal estimada entre 220 e 350 quilogramas, sendo o maior dromeossaurídeo conhecido do Maastrichtiano norte-americano e um dos maiores da família, ao lado de Utahraptor e Achillobator. O holótipo PBMNH.P.10.113.T consiste em um esqueleto parcial de um adulto sem crânio, descoberto por Robert DePalma em 2005 em um canal fluvial do Hell Creek, a no máximo 20 metros abaixo do limite Cretáceo-Paleógeno. A ulna preserva cerca de 15 papilas ulnares (quill knobs) de 8 a 10 milímetros de diâmetro, indicando inserção de penas grandes, e as garras do segundo dedo do pé, a clássica 'sickle claw' dos dromeossaurídeos, alcançam 24 centímetros de comprimento medido pela curva externa. A tíbia, com 678 milímetros, é a mais longa conhecida em qualquer dromeossaurídeo, sugerindo anatomia surpreendentemente esguia para um animal desse porte. Em 2016, Arbour e colegas demonstraram que as fúrculas originalmente descritas como parte do holótipo eram, na verdade, entoplastros (partes do casco) da tartaruga trionichídea Axestemys splendida, e DePalma et al. (2016) publicaram um corrigendum excluindo essas peças. A validade do táxon segue debatida: Cau (2023 e 2024) argumentou, em blog e análises filogenéticas, que o material restante pode ser uma quimera combinando elementos de ornitomimossauros, ovirraptorossauros e terizinossauros, mas essa hipótese ainda não foi publicada em artigo revisado por pares.

Formação Hell Creek, topo da unidade, Cretáceo Superior (Maastrichtiano tardio, ~66 a 67 Ma). A Formação Hell Creek aflora em Montana, North Dakota, South Dakota e Wyoming, registrando sedimentos fluviais e de planície costeira depositados nos últimos 1 a 2 milhões de anos do Cretáceo, imediatamente antes do limite Cretáceo-Paleógeno (K-Pg), datado em 66,043 ± 0,010 Ma por Sprain et al. (2018). O litotipo inclui arenitos de canal, mudstones de planície de inundação, carvões de pântano e bentonitas vulcanoclásticas. A unidade ocorre sobre a Formação Fox Hills (marinha) e abaixo da Formação Tullock / Fort Union (Paleoceno). Em Harding County, South Dakota, a Formação Hell Creek inclui o arenito Bull Creek e o carvão Heikkila, e é nesse intervalo que o holótipo de Dakotaraptor foi encontrado, a menos de 20 metros abaixo do limite K-Pg. A fauna associada inclui Tyrannosaurus rex, Triceratops horridus e prorsus, Torosaurus, Edmontosaurus annectens, Anzu wyliei, Pachycephalosaurus, Ankylosaurus magniventris, Thescelosaurus, Ornithomimus, Acheroraptor temertyorum (dromeossaurídeo menor) e troodontídeos como Pectinodon, além de crocodilianos (Borealosuchus), tartarugas (incluindo a trionichídea Axestemys splendida, crucial para a controvérsia das 'fúrculas' de Dakotaraptor), mamíferos, répteis escamados e aves.

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Habitat

Planícies costeiras quentes e úmidas do interior norte-americano durante o Maastrichtiano tardio, drenadas por rios meandrantes que atravessavam florestas subtropicais dominadas por coníferas (Taxodium, araucariáceas), palmeiras (Arecaceae), cicadáceas, angiospermas de folha larga (Dryophyllum) e pteridófitas. A costa do epicontinental Western Interior Seaway ainda existia durante a deposição do Hell Creek, mas já recuava rapidamente. A unidade inclui canais fluviais ativos, planícies de inundação com solos hidromórficos, pântanos e lagoas efêmeras. A fauna inclui Tyrannosaurus rex como predador dominante, Triceratops e Torosaurus entre os ceratopsídeos, Edmontosaurus annectens entre os hadrossaurídeos, Ankylosaurus e Denversaurus como anquilossauros, Pachycephalosaurus e Thescelosaurus, e, entre os terópodes pequenos, Acheroraptor, Anzu, Ornithomimus e Troodon / Pectinodon. Dakotaraptor convive com toda essa fauna nas últimas centenas de milhares de anos do Cretáceo.

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Alimentação

Predador ativo, carnívoro estrito. O tamanho intermediário entre o jovem Tyrannosaurus rex e pequenos terópodes como Acheroraptor sugere que Dakotaraptor ocupava um nicho de mesopredador, possivelmente explorando presas que estavam fora do alcance de tiranossaurídeos juvenis mas em vantagem frente a Acheroraptor e Troodon. Presas prováveis incluíam Thescelosaurus, Pachycephalosaurus juvenis, ornitomimossauros como Ornithomimus e hadrossaurídeos jovens. A garra de 24 cm do segundo dedo do pé, a famosa sickle claw, e os membros posteriores esguios, com tíbia muito longa, sugerem tanto estratégia de predação ativa em terreno aberto quanto capacidade de segurar e imobilizar presas, como hipotetizado por Fowler et al. (2011) para Deinonychus.

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Comportamento e sentidos

Não há trilhos ou sítios inequivocamente atribuíveis a Dakotaraptor, e o hipodigma reduzido pós-corrigendum limita inferências diretas. Por analogia com outros eudromeossauros, é possível um comportamento de caçada solitária ou em pares esporádicos, com corrida rápida em terreno aberto e ataque com a sickle claw para imobilizar a presa. A presença de papilas ulnares indicando plumagem no antebraço sugere que exibição visual, abrigo sobre ninhos e termorregulação eram papéis importantes das penas no animal adulto, independentemente de qualquer capacidade de voo, inexistente dado o porte.

Fisiologia e crescimento

Dakotaraptor foi um dromeossaurídeo de porte excepcional e anatomia incomumente esguia entre os grandes representantes da família. A tíbia de 678 mm é a mais longa conhecida em Dromaeosauridae, indicando membros posteriores proporcionalmente longos e potencialmente maior capacidade cursorial que Utahraptor (robusto) e Achillobator (maciço). As papilas ulnares atestam penas grandes no antebraço, homólogas às secundárias de aves modernas. A histologia óssea do táxon não foi publicada em detalhe, o que é particularmente sensível dada a controvérsia de identificação do material, mas Burnham e colegas anunciaram, em apresentações de congresso pós-2015, que a microanatomia do fêmur e da ulna é compatível com dromeossaurídeos.

Configuração continental

Mapa paleogeográfico do Cretáceo (~90 Ma)

Ron Blakey · CC BY 3.0 · Cretáceo, ~90 Ma

Durante o Maastrichtiano tardio (~67–66 Ma), Dakotaraptor steini habitava a Laramídia, a metade ocidental do que hoje é a América do Norte, separada pelo Mar Interior do Oeste (Western Interior Seaway), um mar raso que dividia o continente ao meio. Os continentes estavam em posições muito diferentes das atuais: a Índia viajava em direção à Ásia, a Antártida ainda estava conectada à Austrália, e a América do Sul era uma ilha separada.

Completude estimada 20%

O holótipo PBMNH.P.10.113.T, após o corrigendum de DePalma et al. (2016), é composto basicamente por membros anteriores, membros posteriores e vértebras caudais de um único indivíduo adulto, sem crânio nem maior parte da coluna axial. A tíbia esquerda, preservada completa com 678 mm, é a mais longa conhecida em qualquer dromeossaurídeo. A ulna preserva cerca de 15 papilas ulnares, as famosas quill knobs que indicam a inserção direta de penas grandes na borda caudal do antebraço, semelhantes às descritas para Velociraptor por Turner e colegas em 2007. Um dos aspectos mais discutidos da taxonomia do animal é a inacessibilidade do material-tipo: o Palm Beach Museum of Natural History é descrito por vários autores como coleção privada, o que limita a reanálise independente, e Cau (2023 a 2024) argumenta, ainda em blog, que o material pode ser uma quimera.

Encontrado (15)
Inferido (7)
Esqueleto de dinossauro — theropod
Wikimedia Commons (reconstituição esquelética de Dakotaraptor steini) CC BY-SA 4.0

Estruturas encontradas

fragmento de uma vértebra dorsaldez vértebras caudaisambos os úmerosambas as ulnas, com cerca de 15 papilas ulnares (quill knobs) preservadasambos os rádiosprimeiro e segundo metacarpos direitostrês garras da mão esquerdafêmur direitoambas as tíbias, a esquerda completa com 678 mm, a mais longa conhecida em Dromaeosauridaeastrágalo e calcâneo esquerdossegundo, terceiro e quarto metatarsos esquerdosquarto metatarso direitosegunda e terceira garras do pé direito, incluindo a sickle claw raptorial de 24 cmholótipo PBMNH.P.10.113.Tespécimes referidos pós-corrigendum: PBMNH.P.10.115.T, PBMNH.P.10.118.T, KUVP 156045 e dentes isolados

Estruturas inferidas

crânio completo, não preservadomandíbula completacoluna vertebral completa, incluindo cervicais, dorsais, sacrais e caudais adicionaiscintura escapular completapelve completacauda completa com haste enrijecida típica de Dromaeosauridaetrês 'fúrculas' excluídas pelo corrigendum de 2016, reidentificadas como entoplastros de Axestemys splendida por Arbour et al. (2016)

15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.

1969

Osteology of Deinonychus antirrhopus, an unusual theropod from the Lower Cretaceous of Montana

Ostrom, J.H. · Bulletin of the Peabody Museum of Natural History 30: 1 to 165

Monografia fundadora dos Dromaeosauridae modernos. A descrição de Deinonychus antirrhopus, com sua 'garra terrível' do segundo dedo do pé e a semelhança manual com aves, reavivou a hipótese de ancestralidade dinossauriana das aves e é base indispensável para interpretar a anatomia de Dakotaraptor.

Reconstituição em vida de Deinonychus antirrhopus, o dromeossaurídeo que serviu de modelo para toda a família e referência anatômica para Dakotaraptor.

Reconstituição em vida de Deinonychus antirrhopus, o dromeossaurídeo que serviu de modelo para toda a família e referência anatômica para Dakotaraptor.

Reconstituição comparativa de Velociraptor mongoliensis, dromeossaurídeo velociraptoríneo próximo de Dakotaraptor em termos de Eudromaeosauria.

Reconstituição comparativa de Velociraptor mongoliensis, dromeossaurídeo velociraptoríneo próximo de Dakotaraptor em termos de Eudromaeosauria.

1993

A large dromaeosaur (Theropoda) from the Lower Cretaceous of eastern Utah

Kirkland, J.I., Burge, D. e Gaston, R. · Hunteria 2(10): 1 to 16

Descrição original de Utahraptor ostrommaysorum, o gigante dromeossaurídeo do Cretáceo Inferior da Formação Cedar Mountain, Utah. Com cerca de 7 metros e ossos do crânio 2,5 vezes maiores que os de Deinonychus, foi por duas décadas o maior dromeossaurídeo conhecido, até ser equiparado por Dakotaraptor em 2015.

Reconstituição em vida de Utahraptor ostrommaysorum, principal referência comparativa de tamanho para Dakotaraptor.

Reconstituição em vida de Utahraptor ostrommaysorum, principal referência comparativa de tamanho para Dakotaraptor.

Comparação de tamanho entre Utahraptor e um humano adulto, base para dimensionar Dakotaraptor ao lado do maior dromeossaurídeo do Cretáceo Inferior.

Comparação de tamanho entre Utahraptor e um humano adulto, base para dimensionar Dakotaraptor ao lado do maior dromeossaurídeo do Cretáceo Inferior.

1999

A new maniraptoran theropod, Achillobator giganticus (Dromaeosauridae), from the Upper Cretaceous of Burkhant, Mongolia

Perle, A., Norell, M.A. e Clark, J.M. · Contributions of the Mongolian-American Paleontological Project

Descrição de Achillobator giganticus, dromeossaurídeo mongol do Cretáceo Superior (~96 a 89 Ma), com esqueleto robusto, pelve primitiva com púbis verticalizado e tamanho entre 4,5 e 5 metros. Referência-chave para entender a diversidade de grandes eudromeossauros e para comparar a ecologia de um predador maciço com o porte esguio de Dakotaraptor.

Velociraptor montado em exposição, base comparativa de pequeno porte para os grandes eudromeossauros como Achillobator e Dakotaraptor.

Velociraptor montado em exposição, base comparativa de pequeno porte para os grandes eudromeossauros como Achillobator e Dakotaraptor.

Comparação direta entre Dakotaraptor e Utahraptor, os dois maiores dromeossaurídeos conhecidos da América do Norte, úteis para contextualizar Achillobator.

Comparação direta entre Dakotaraptor e Utahraptor, os dois maiores dromeossaurídeos conhecidos da América do Norte, úteis para contextualizar Achillobator.

2007

Feather quill knobs in the dinosaur Velociraptor

Turner, A.H., Makovicky, P.J. e Norell, M.A. · Science 317(5845): 1721

Primeira demonstração direta de quill knobs (papilas ulnares) em um dromeossaurídeo não aviano, com base na ulna de Velociraptor mongoliensis (IGM 100/981). A feição é idêntica à observada por DePalma et al. (2015) em Dakotaraptor, e é a base da interpretação de que raptores gigantes do Maastrichtiano tinham antebraços emplumados apesar do porte incompatível com voo.

Elementos originalmente identificados como fúrculas no holótipo de Dakotaraptor, posteriormente reidentificados como entoplastros de tartaruga. Contexto anatômico dos quill knobs descritos no mesmo esqueleto.

Elementos originalmente identificados como fúrculas no holótipo de Dakotaraptor, posteriormente reidentificados como entoplastros de tartaruga. Contexto anatômico dos quill knobs descritos no mesmo esqueleto.

Garra preservada do holótipo de Dakotaraptor, próxima aos elementos do antebraço onde as papilas ulnares foram descritas.

Garra preservada do holótipo de Dakotaraptor, próxima aos elementos do antebraço onde as papilas ulnares foram descritas.

2009

A microraptorine (Dinosauria-Dromaeosauridae) from the Late Cretaceous of North America

Longrich, N.R. e Currie, P.J. · Proceedings of the National Academy of Sciences 106(13): 5002 to 5007

Descrição de Hesperonychus elizabethae, o menor dromeossaurídeo não aviano conhecido da América do Norte, da Formação Dinosaur Park (Campaniano, Alberta). Amplia o registro temporal de Microraptorinae em 45 milhões de anos e estabelece o pano de fundo para discutir a diversidade de tamanho dos dromeossaurídeos norte-americanos do Cretáceo Superior, da qual Dakotaraptor representa o extremo oposto.

Escala de tamanho de Dakotaraptor ao lado de um humano, contextualizando a amplitude dromeossaurídea entre Hesperonychus e os gigantes.

Escala de tamanho de Dakotaraptor ao lado de um humano, contextualizando a amplitude dromeossaurídea entre Hesperonychus e os gigantes.

Fauna da Formação Hell Creek, com predadores pequenos e grandes coexistindo no final do Cretáceo.

Fauna da Formação Hell Creek, com predadores pequenos e grandes coexistindo no final do Cretáceo.

2012

A review of dromaeosaurid systematics and paravian phylogeny

Turner, A.H., Makovicky, P.J. e Norell, M.A. · Bulletin of the American Museum of Natural History 371: 1 to 206

Revisão monográfica da sistemática de Dromaeosauridae e da filogenia de Paraves. Define Eudromaeosauria como o clado que reúne Dromaeosaurinae, Velociraptorinae e Saurornitholestinae, o quadro taxonômico dentro do qual Dakotaraptor foi originalmente posicionado em 2015. Base matricial para análises subsequentes de Jasinski (2020) e Currie e Evans (2019).

Comparação dos maiores dromeossaurídeos conhecidos, incluindo Utahraptor, Dakotaraptor, Achillobator e Austroraptor em escala.

Comparação dos maiores dromeossaurídeos conhecidos, incluindo Utahraptor, Dakotaraptor, Achillobator e Austroraptor em escala.

Reconstituição esquelética de Dakotaraptor com os elementos preservados destacados em cor, visão da sistemática pós-2012.

Reconstituição esquelética de Dakotaraptor com os elementos preservados destacados em cor, visão da sistemática pós-2012.

2013

A new dromaeosaurid (Dinosauria: Theropoda) with Asian affinities from the latest Cretaceous of North America

Evans, D.C., Larson, D.W. e Currie, P.J. · Naturwissenschaften 100(11): 1041 to 1049

Descrição de Acheroraptor temertyorum a partir de material craniano da Formação Hell Creek de Montana. Até então considerado o único dromeossaurídeo de Hell Creek, foi acompanhado dois anos depois por Dakotaraptor, demonstrando que a formação abrigava pelo menos dois dromeossaurídeos contemporâneos em classes de tamanho muito diferentes.

Holótipo de Acheroraptor temertyorum (ROM 63777), pequeno dromeossaurídeo contemporâneo de Dakotaraptor na Formação Hell Creek.

Holótipo de Acheroraptor temertyorum (ROM 63777), pequeno dromeossaurídeo contemporâneo de Dakotaraptor na Formação Hell Creek.

Comparação de tamanho de Acheroraptor, o segundo dromeossaurídeo conhecido da Formação Hell Creek, muito menor que Dakotaraptor.

Comparação de tamanho de Acheroraptor, o segundo dromeossaurídeo conhecido da Formação Hell Creek, muito menor que Dakotaraptor.

2015

The first giant raptor (Theropoda: Dromaeosauridae) from the Hell Creek Formation

DePalma, R.A., Burnham, D.A., Martin, L.D., Larson, P.L. e Bakker, R.T. · Paleontological Contributions 14: 1 to 16

Descrição original de Dakotaraptor steini com base no holótipo PBMNH.P.10.113.T, coletado por Robert DePalma em 2005 na parte superior da Formação Hell Creek, Harding County, South Dakota, a menos de 20 metros abaixo do limite Cretáceo-Paleógeno. Os autores destacam: tamanho de cerca de 5,5 metros e massa estimada em cerca de 350 kg, tíbia de 678 mm (a mais longa conhecida em Dromaeosauridae), cerca de 15 papilas ulnares indicando penas grandes no antebraço e três elementos descritos como fúrculas. A análise filogenética posicionou Dakotaraptor como eudromeossauro próximo a Dromaeosaurus. Esta descrição é a referência primária e deve ser citada em conjunto com o corrigendum de 2016 e a crítica de Arbour et al. (2016).

Reconstituição em vida de Dakotaraptor steini em pose de caça, com plumagem sobre a ulna inferida a partir das papilas ulnares descritas por DePalma et al. (2015).

Reconstituição em vida de Dakotaraptor steini em pose de caça, com plumagem sobre a ulna inferida a partir das papilas ulnares descritas por DePalma et al. (2015).

Silhueta lateral do esqueleto de Dakotaraptor com elementos preservados e estimativa de comprimento total de cerca de 5 metros, conforme figura diagnóstica do artigo original.

Silhueta lateral do esqueleto de Dakotaraptor com elementos preservados e estimativa de comprimento total de cerca de 5 metros, conforme figura diagnóstica do artigo original.

2016

The furculae of the dromaeosaurid dinosaur Dakotaraptor steini are trionychid turtle entoplastra

Arbour, V.M., Zanno, L.E., Larson, D.W., Evans, D.C. e Sues, H.-D. · PeerJ 4: e1691

Correção taxonômica crucial. Os autores demonstram que as três 'fúrculas' atribuídas a Dakotaraptor steini no artigo original, incluindo a peça incorporada ao holótipo, não são ossos de terópode, mas sim entoplastros (placas centrais do plastrão) da tartaruga trionichídea Axestemys splendida, comum na Formação Hell Creek. A identificação se baseia na forma achatada em V/U, na ausência de cabeça epicleidial distinta, na microanatomia esponjosa sem padrão laminado e na congruência perfeita com Axestemys conhecida do mesmo sítio. O artigo obrigou os autores originais a emitir o corrigendum de 2016.

Figura 1 de Arbour et al. (2016): 'fúrculas' atribuídas ao holótipo e aos espécimes referidos de Dakotaraptor comparadas ao entoplastro da tartaruga trionichídea Axestemys splendida, mostrando a congruência morfológica.

Figura 1 de Arbour et al. (2016): 'fúrculas' atribuídas ao holótipo e aos espécimes referidos de Dakotaraptor comparadas ao entoplastro da tartaruga trionichídea Axestemys splendida, mostrando a congruência morfológica.

Reconstituição artística alternativa de Dakotaraptor steini, atualizada após a correção de Arbour et al. (2016) que removeu as 'fúrculas' do hipodigma.

Reconstituição artística alternativa de Dakotaraptor steini, atualizada após a correção de Arbour et al. (2016) que removeu as 'fúrculas' do hipodigma.

2016

Corrigendum to: The first giant raptor (Theropoda: Dromaeosauridae) from the Hell Creek Formation

DePalma, R.A., Burnham, D.A., Martin, L.D., Larson, P.L. e Bakker, R.T. · Paleontological Contributions 16: 1 to 2

Corrigendum formal dos autores originais, publicado em 2 de dezembro de 2016. Aceita a reidentificação de Arbour et al. (2016) das 'fúrculas' como entoplastros de Axestemys splendida. Exclui do hipodigma de Dakotaraptor a fúrcula anteriormente atribuída ao holótipo e os espécimes referidos KUVP 152429 (exclusivamente material de tartaruga) e NCSM 13170. O hipodigma reduzido permanece como base para toda a discussão posterior sobre o táxon.

Busto reconstruído de Dakotaraptor steini. Como o crânio não foi preservado no holótipo, a cabeça é inferida a partir de dromeossaurídeos próximos como Dromaeosaurus e Acheroraptor.

Busto reconstruído de Dakotaraptor steini. Como o crânio não foi preservado no holótipo, a cabeça é inferida a partir de dromeossaurídeos próximos como Dromaeosaurus e Acheroraptor.

Esboço de estudo de Dakotaraptor para análise de proporções corporais, usado como base de reconstruções pós-corrigendum.

Esboço de estudo de Dakotaraptor para análise de proporções corporais, usado como base de reconstruções pós-corrigendum.

2019

Cranial anatomy of new specimens of Saurornitholestes langstoni (Dinosauria, Theropoda, Dromaeosauridae) from the Dinosaur Park Formation (Campanian) of Alberta

Currie, P.J. e Evans, D.C. · The Anatomical Record 303(4): 691 to 715

Descrição da anatomia craniana de um esqueleto quase completo de Saurornitholestes langstoni da Formação Dinosaur Park (Campaniano, Alberta). Inclui nova análise filogenética em que Dakotaraptor é mantido dentro de Eudromaeosauria, mas em posição sensível à remoção de caracteres não verificáveis, em linha com as críticas posteriores de Cau.

Material craniano de Acheroraptor (NMNH), comparativo direto para Saurornitholestes e para os dromeossaurídeos de Hell Creek.

Material craniano de Acheroraptor (NMNH), comparativo direto para Saurornitholestes e para os dromeossaurídeos de Hell Creek.

Reconstituição craniana de Acheroraptor temertyorum, chave para interpretar a cabeça não preservada de Dakotaraptor.

Reconstituição craniana de Acheroraptor temertyorum, chave para interpretar a cabeça não preservada de Dakotaraptor.

2019

A new paravian dinosaur from the Late Jurassic of North America supports a late acquisition of avian flight

Hartman, S., Mortimer, M., Wahl, W.R., Lomax, D.R., Lippincott, J. e Lovelace, D.M. · PeerJ 7: e7247

Descrição do troodontídeo Hesperornithoides miessleri e grande análise filogenética de Paraves. No esquema de Hartman e colegas, Dakotaraptor foi recuperado dentro de Unenlagiidae (dromeossaurídeos sul-americanos e antárticos) em vez de Eudromaeosauria. Essa instabilidade topológica é uma das principais razões pelas quais a posição de Dakotaraptor permanece contestada.

Reconstituição artística de Dakotaraptor steini em ambiente Hell Creek, referência visual para discussões filogenéticas que o colocam em Unenlagiidae ou Eudromaeosauria.

Reconstituição artística de Dakotaraptor steini em ambiente Hell Creek, referência visual para discussões filogenéticas que o colocam em Unenlagiidae ou Eudromaeosauria.

Detalhe de reconstituição de Dakotaraptor em movimento, destacando a tíbia proporcionalmente longa discutida em análises de Paraves.

Detalhe de reconstituição de Dakotaraptor em movimento, destacando a tíbia proporcionalmente longa discutida em análises de Paraves.

2020

New Dromaeosaurid Dinosaur (Theropoda, Dromaeosauridae) from New Mexico and biodiversity of dromaeosaurids at the end of the Cretaceous

Jasinski, S.E., Sullivan, R.M. e Dodson, P. · Scientific Reports 10: 5105

Descrição de Dineobellator notohesperus, primeiro dromeossaurídeo diagnóstico do final do Cretáceo no sul dos Estados Unidos (New Mexico). A análise filogenética recupera Eudromaeosauria com Saurornitholestinae, Dromaeosaurinae e Velociraptorinae, com Dakotaraptor e Acheroraptor entre os terminais maastrichtianos. Este é o cladograma publicado mais citado para posicionar Dakotaraptor em árvores recentes.

Figura 1 de Jasinski et al. (2020): elementos do holótipo e caracteres diagnósticos de Dineobellator notohesperus, outro dromeossaurídeo maastrichtiano.

Figura 1 de Jasinski et al. (2020): elementos do holótipo e caracteres diagnósticos de Dineobellator notohesperus, outro dromeossaurídeo maastrichtiano.

Figura 3 de Jasinski et al. (2020): filogenia calibrada no tempo dos dromeossaurídeos, com Dakotaraptor em Eudromaeosauria ao lado de Acheroraptor e Dineobellator.

Figura 3 de Jasinski et al. (2020): filogenia calibrada no tempo dos dromeossaurídeos, com Dakotaraptor em Eudromaeosauria ao lado de Acheroraptor e Dineobellator.

2023

Osteology and reassessment of Dineobellator notohesperus, a southern eudromaeosaur (Theropoda: Dromaeosauridae: Eudromaeosauria) from the latest Cretaceous of New Mexico

Jasinski, S.E. · The Anatomical Record 306(7): 1641 to 1708

Monografia osteológica de Dineobellator notohesperus com revisão ampla de Eudromaeosauria. Discute a diversidade corporal dos dromeossaurídeos maastrichtianos, posicionando Dineobellator como eudromeossauro de porte médio e Dakotaraptor como extremo de tamanho do mesmo clado. Reforça, com mais caracteres, que Dakotaraptor é parte de Eudromaeosauria, embora reconheça a instabilidade topológica apontada por Hartman et al. (2019) e por Cau.

Cena especulativa de Dakotaraptors interagindo com um jovem Tyrannosaurus rex, contextualizando o nicho de mesopredador do maior eudromeossauro conhecido.

Cena especulativa de Dakotaraptors interagindo com um jovem Tyrannosaurus rex, contextualizando o nicho de mesopredador do maior eudromeossauro conhecido.

Painel alternativo da fauna da Formação Hell Creek com Dakotaraptor no contexto dos dinossauros terminais do Cretáceo.

Painel alternativo da fauna da Formação Hell Creek com Dakotaraptor no contexto dos dinossauros terminais do Cretáceo.

2018

Calibration of chron C29r: new high-precision geochronologic and paleomagnetic constraints from the Hell Creek region, Montana

Sprain, C.J., Renne, P.R., Clemens, W.A. e Wilson, G.P. · GSA Bulletin 130(9-10): 1615 to 1644

Calibração geocronológica de alta precisão (U-Pb CA-TIMS em zircão e 40Ar/39Ar) da Formação Hell Creek em Montana. Estabelece o limite K-Pg em 66,043 ± 0,010 Ma e restringe a duração da deposição do topo do Hell Creek a menos de 1 milhão de anos. Contexto essencial para afirmar que Dakotaraptor viveu nos últimos 100 a 400 mil anos do Cretáceo, a menos de 20 m do limite K-Pg no sítio holótipo.

Paisagem da Formação Hell Creek em Harding County, South Dakota, localidade-tipo de Dakotaraptor steini.

Paisagem da Formação Hell Creek em Harding County, South Dakota, localidade-tipo de Dakotaraptor steini.

Afloramentos de arenitos e argilitos do topo da Formação Hell Creek, com o limite K-Pg próximo ao topo.

Afloramentos de arenitos e argilitos do topo da Formação Hell Creek, com o limite K-Pg próximo ao topo.

PBMNH.P.10.113.T (holótipo de Dakotaraptor steini) — Palm Beach Museum of Natural History, Flórida, EUA

Wikimedia Commons

PBMNH.P.10.113.T (holótipo de Dakotaraptor steini)

Palm Beach Museum of Natural History, Flórida, EUA

Completude: Esqueleto parcial pós-craniano, sem crânio: vértebras caudais, ambos úmeros, ulnas, rádios, metacarpos II a III direitos, três garras da mão esquerda, fêmur direito, ambas as tíbias, tarso esquerdo, metatarsos II a IV esquerdos, MT IV direito, garras 2 e 3 do pé direito
Encontrado em: 2005
Por: Robert A. DePalma

Holótipo de Dakotaraptor steini, coletado em 2005 em um canal fluvial da parte superior da Formação Hell Creek, Harding County, South Dakota, a menos de 20 metros abaixo do limite Cretáceo-Paleógeno. O material foi depositado no Palm Beach Museum of Natural History (Flórida), descrito por vários autores como coleção privada, o que tem gerado críticas quanto à acessibilidade para reanálise independente. Após o corrigendum de DePalma et al. (2016), a fúrcula incorporada ao holótipo foi removida do hipodigma por ter sido reidentificada como entoplastro da tartaruga Axestemys splendida por Arbour et al. (2016).

PBMNH.P.10.115.T e PBMNH.P.10.118.T (referidos) — Palm Beach Museum of Natural History, Flórida, EUA

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PBMNH.P.10.115.T e PBMNH.P.10.118.T (referidos)

Palm Beach Museum of Natural History, Flórida, EUA

Completude: Elementos isolados referidos; PBMNH.P.10.115.T é uma tíbia referida, PBMNH.P.10.118.T inclui garras e falanges
Encontrado em: 2014
Por: Robert A. DePalma e equipe

Espécimes referidos no artigo original de 2015 que permaneceram no hipodigma após o corrigendum de 2016. São fragmentos e ossos isolados cuja associação a Dakotaraptor é baseada em critérios de tamanho e morfologia compatíveis com o holótipo. Ainda assim, a análise de Cau (2023 a 2024) levanta dúvidas sobre a homogeneidade do conjunto.

KUVP 156045 (referido) — University of Kansas Museum of Natural History (KU Biodiversity Institute), Lawrence, Kansas, EUA

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KUVP 156045 (referido)

University of Kansas Museum of Natural History (KU Biodiversity Institute), Lawrence, Kansas, EUA

Completude: Elementos isolados referidos em coleção pública acessível
Encontrado em: 2014
Por: Equipes de campo do KU Biodiversity Institute

Um dos espécimes referidos originalmente ao táxon e mantidos após o corrigendum. Importante por estar em coleção pública acessível (KU), o que possibilita reavaliações independentes. O espécime KUVP 152429, também referido em 2015, foi excluído pelo corrigendum de 2016 por consistir exclusivamente em material de tartaruga.

Réplicas e montagens reconstruídas — Palm Beach Museum of Natural History (Flórida) e exposições itinerantes

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Réplicas e montagens reconstruídas

Palm Beach Museum of Natural History (Flórida) e exposições itinerantes

Completude: Moldes parciais do holótipo combinados com casts de Utahraptor e Achillobator
Encontrado em: 2015
Por: Cooperação entre equipes do Palm Beach Museum

Réplicas esqueléticas reconstruídas com material do holótipo e casts de Utahraptor e Achillobator foram exibidas em eventos educativos. Nenhuma montagem esquelética permanente e oficial de Dakotaraptor foi instalada em museu público de grande porte até 2026.

Dinosauria
Saurischia
Theropoda
Coelurosauria
Maniraptora
Paraves
Dromaeosauridae
Eudromaeosauria
Primeiro fóssil
2005
Descobridor
Robert A. DePalma
Descrição formal
2015
Descrito por
Robert A. DePalma, David A. Burnham, Larry D. Martin, Peter L. Larson e Robert T. Bakker
Formação
Formação Hell Creek, parte superior
Região
South Dakota (Harding County)
País
Estados Unidos
Ostrom, J.H. (1969) — Bulletin of the Peabody Museum of Natural History 30: 1 to 165

Curiosidade

A parte mais famosa de Dakotaraptor talvez não seja a garra em foice de 24 cm, nem as papilas ulnares que mostram plumagem em um animal grande demais para voar: é a 'fúrcula que não era fúrcula'. Em 2015, DePalma e colegas descreveram três ossos em forma de U como fúrculas de Dakotaraptor, uma delas parte do holótipo. Em fevereiro de 2016, Arbour, Zanno, Larson, Evans e Sues mostraram que esses ossos são, na verdade, entoplastros (placas centrais do plastrão) da tartaruga trionichídea Axestemys splendida, comum na Formação Hell Creek. Os autores originais publicaram um corrigendum formal em dezembro de 2016 aceitando a correção. O episódio virou caso de estudo em paleontologia sobre a importância de pareceres independentes e acesso ao material-tipo, e é parte inseparável da identidade científica do táxon.