Dinossauros da Patagônia e Argentina

A Argentina é a potência paleontológica do hemisfério sul, com fósseis cobrindo todo o Mesozoico em formações distribuídas do noroeste à Patagônia. A Formação Ischigualasto na Província de San Juan (Triássico Superior, ~231 Ma) preserva os dinossauros mais antigos conhecidos do mundo, incluindo Herrerasaurus ischigualastensis, Eoraptor lunensis, Gnathovorax cabreirai e os primeiros sauropodomorfos. A Formação Cañadón Asfalto, no Jurássico Médio do Chubut, registra a transição para ecossistemas dominados por dinossauros. No Cretáceo Superior, as Formações Candeleros e Huincul, da Bacia Neuquina, produziram os maiores terópodes conhecidos: Giganotosaurus carolinii, Mapusaurus roseae e o megaraptorídeo Megaraptor namunhuaiquii. A Formação La Colonia preservou o icônico abelissaurídeo Carnotaurus sastrei. Saurópodes titanossauros chegaram a tamanhos colossais nas formações patagônicas Cerro Barcino, Cerro Lisandro e Lago Colhué Huapí: Argentinosaurus huinculensis, Patagotitan mayorum e Dreadnoughtus schrani estão entre os maiores animais terrestres já existentes.

15 espécies no acervo
3 Triássico
1 Jurássico
11 Cretáceo
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Mussaurus patagonicus

AR · 221–205 Ma

Mussauro

Mussaurus patagonicus

"Lagarto-rato da Patagônia"

O Mussaurus patagonicus é um sauropodomorfos do Triássico tardio que protagoniza uma das histórias mais inusitadas da paleontologia: foi batizado de 'lagarto-rato' porque os primeiros espécimes descobertos eram filhotes minúsculos de apenas 20 centímetros de comprimento, cuja postura cabia na palma de uma mão. Quando José Bonaparte e Martín Vince descreveram a espécie em 1979, com base nesses filhotes da Formação Los Colorados da Patagônia argentina, imaginavam um animal adulto de tamanho modesto. Décadas depois, quando espécimes adultos foram encontrados e descritos em detalhe, revelou-se que o Mussaurus crescia até 6 metros de comprimento e 1,5 tonelada: um dos maiores animais terrestres do Triássico tardio da América do Sul. Essa discrepância entre filhotes e adultos é biologicamente significativa. Ela demonstra que os sauropodomorfos basais passavam por alterações ontogenéticas dramáticas não apenas em tamanho, mas também em postura locomotora. Filhotes de Mussaurus eram bípedes facultativos, com membros anteriores e posteriores proporcionalmente similares, enquanto adultos tinham membros anteriores mais robustos e provavelmente transitavam para postura quadrúpede ao atingir grandes tamanhos. Esse padrão ecoa o que mais tarde se tornou obrigatório nos gigantescos saurópodes do Jurássico e Cretáceo. A publicação mais impactante sobre Mussaurus nos últimos anos foi o estudo de Otero et al. de 2021, publicado na Scientific Reports. A análise de múltiplos ninhos com ovos, filhotes neonatos e juvenis agrupados espacialmente revelou evidências sólidas de comportamento gregário: os animais se reuniam em grupos por faixa etária, sugerindo alguma forma de cuidado parental ou comportamento social estruturado. Ovos de Mussaurus foram preservados em ninhos comunais a uma profundidade que sugere que eram enterrados para incubação, similar ao comportamento de crocodilos e algumas aves atuais. Esse achado empurra a origem do comportamento gregário nos sauropodomorfos para o Triássico, mais de 50 milhões de anos antes do que se imaginava. Filogeneticamente, o Mussaurus ocupa uma posição-chave na transição entre sauropodomorfos basais solitários e os grandes saurópodes gregários do Mesozoico. As análises mais recentes o posicionam dentro da Massopoda, próximo da base do clado que dará origem aos verdadeiros Sauropoda. Seu corpo ainda preserva características plesiomórficas como pescoço moderadamente longo, membros posteriores mais robustos que os anteriores e dentes foliformes simples, mas já apresenta características derivadas como vértebras cervicais alongadas e fórmula do tarso sauropodoide. O registro fóssil excepcional da Formação Los Colorados, com múltiplas faixas etárias preservadas juntas, faz do Mussaurus o sauropodomorfos triássico mais importante para estudos de crescimento, ontogenia e comportamento social.

Triássico Herbívoro 6m
Chilesaurus diegosuarezi

CL · 148.7–147 Ma

Chilesauro

Chilesaurus diegosuarezi

"Lagarto chileno de Diego Suárez"

Chilesaurus diegosuarezi é um pequeno dinossauro do Titoniano (Jurássico Superior, cerca de 148,7 a 147 milhões de anos atrás) da Formação Toqui, Região de Aysén, sul do Chile. O animal ficou famoso por combinar caracteres anatômicos de grupos muito diferentes: crânio estreito e membros anteriores de terópode, pelve opistopúbica (púbis voltada para trás) semelhante à de ornitísquios e aves, dentes espatulados adaptados a herbivoria como em prossaurópodes, e pé tetradáctilo com quatro dedos funcionais apoiados no solo. Por isso foi apelidado de 'ornitorrinco dos dinossauros' na mídia popular. O holótipo (SNGM-1935) é um esqueleto articulado quase completo de um juvenil com cerca de 1,6 m de comprimento; parátipos e espécimes referidos (SNGM-1936, 1937, 1938, 1888 e sete ossos isolados) mostram que o adulto atingia cerca de 3,2 m. Era um herbívoro bípede de porte pequeno a médio, dotado de pescoço moderadamente alongado e mãos com apenas dois dedos completamente desenvolvidos. A posição filogenética é debatida: Novas et al. (2015) propuseram um terópode tetanuro basal, Baron & Barrett (2017, 2018) recuperaram o táxon como o ornitísquio mais basal dentro do arcabouço Ornithoscelida, e reanálises recentes (Baiano et al. 2022; Fonseca et al. 2023) retornaram ao cenário de tetanuro basal. O gênero é conhecido por uma única espécie.

Jurássico Herbívoro 3.2m
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